Tenho recebido alguns e-mail´s de associados do clube perguntando sobre as questões financeiras envolvidas no contrato assinado pelo Fluminense com o consórcio maracanã por 35 anos. Se o clube pode ser prejudicado no futuro, se o Flamengo está de fato levando a melhor como diz a mídia, enfim, se o Fluminense fez um bom ou um mau negócio.
Para tentar elucidar um pouco dessas dúvidas, apenas como base inicial de pesquisa recorremos aos borderôs dos clássicos disputados pelo clube no Engenhão em 2013 disponíveis no site da FERJ, onde verificamos que o modelo de contrato pactuado pelo Fluminense com os administradores do Engenhão é parecido com o contrato que foi assinado pelo Flamengo com o Maracanã, onde o clube participa de 50% das despesas e de 50% das receitas com bilheteria.
Nestas condições, o clube obteve nos 7 clássicos disputados em 2013, uma renda líquida de R$ 624 mil, equivalentes a apenas 16% da arrecadação total de R$ 3,878 milhões, conforme demonstrado na planilha abaixo. Observem que o preço médio dos ingressos está próximo do valor que vai ser pago pelo sócio futebol neste primeiro clássico disputado na nova arena maracanã.
Data
|
Adversário
|
Receita Bruta
|
Despesas
|
Receita Líquida
|
Ingressos Vendidos
|
Preço Médio
|
13/05/13
|
Botafogo
|
738.185
|
384.795
|
353.390
|
20.544
|
35,93
|
06/05/13
|
Botafogo
|
732.015
|
442.813
|
289.202
|
23.000
|
31,83
|
01/04/13
|
Botafogo
|
217.575
|
245.639
|
(28.064)
|
8.020
|
27,13
|
11/03/13
|
Flamengo
|
303.640
|
231.715
|
71.925
|
10.534
|
28,82
|
26/02/13
|
Vasco
|
1.094.535
|
629.513
|
465.022
|
31.276
|
35,00
|
23/02/13
|
Botafogo
|
541.615
|
354.212
|
187.403
|
17.027
|
31,81
|
12/02/13
|
Vasco
|
250.815
|
341.561
|
(90.746)
|
7.622
|
32,91
|
Totais
|
3.878.380
|
2.630.248
|
1.248.132
|
118.023
|
32,86
| |
Parte Flu
|
1.939.190
|
1.315.124
|
624.066
| |||
Se fizermos uma projeção desses clássicos realizados no Engenhão nos mesmos moldes do contrato assinado pelo Flu com o consórcio maracanã, considerando que 50% dos ingressos vendidos foram comprados pela torcida do Fluminense, a renda líquida do clube seria de R$ 1,648 milhões já descontados os 10% da FERJ e os 5% do INSS. Ou seja, o clube teria um acréscimo na sua Receita de R$ 1,024 milhões, conforme demonstrado a seguir.
Data
|
Adversário
|
50% da Receita Bruta
|
10% FERJ + 5% INSS
|
Receita Líquida
|
Ingressos Vendidos
|
Preço Médio
|
13/05/13
|
Botafogo
|
369.093
|
55.364
|
313.729
|
10.272
|
35,93
|
06/05/13
|
Botafogo
|
366.008
|
54.901
|
311.106
|
11.500
|
31,83
|
01/04/13
|
Botafogo
|
108.788
|
16.318
|
92.469
|
4.010
|
27,13
|
11/03/13
|
Flamengo
|
151.820
|
22.773
|
129.047
|
5.267
|
28,82
|
26/02/13
|
Vasco
|
547.268
|
82.090
|
465.177
|
15.638
|
35,00
|
23/02/13
|
Botafogo
|
270.808
|
40.621
|
230.186
|
8.514
|
31,81
|
12/02/13
|
Vasco
|
125.408
|
18.811
|
106.596
|
3.811
|
32,91
|
Totais
|
1.939.190
|
290.879
|
1.648.312
|
59.012
|
32,86
| |
Em resumo, faltam alguns parâmetros para que possamos comparar as duas modalidades de contratos, não sabemos, por exemplo, quanto o consórcio vai arrecadar com as outras receitas como venda de camarotes, bares e estacionamentos, mas creio que para o Fluminense este modelo de contrato onde o clube tem uma garantia de receita de 85% da bilheteria de sua carga de ingressos, pode colocar o clube numa posição mais confortável em situações onde seja necessária a apresentação de garantias de receitas para a repactuação de suas dívidas, bem como na elaboração do seu fluxo de caixa.
Se por um lado fica a esperança de dias melhores, com a previsão de novas receitas, por outro lado fica a preocupação no sentido de que atual gestão não tem demonstrado muita habilidade em destinar de forma eficaz na redução da dívida e no aumento do nosso patrimônio, os novos recursos que o clube vem auferindo, como demonstra o quadro comparativo do resultado operacional obtido pela gestão Peter Siemsem e pela gestão Roberto Horcades, nos seus dois primeiros anos de mandato.
Observem na planilha abaixo (em milhares de R$) que o clube obteve nos períodos mencionados um acréscimo de R$ 74,951 milhões nas Receitas com Repasse de Direitos Federativos e de Transmissões Televisivas e no mesmo período houve um acréscimo de R$ 70,391 nas Despesas Operacionais.
2012/1
|
2008/9
|
Variação
|
Var. %
| |
Receitas
| ||||
Receitas com Bilheterias
|
9.254
|
12.571
|
-3.317
|
-26,39%
|
Receitas com Repasse de Direitos Federativos
|
69.396
|
28.524
|
40.872
|
143,29%
|
Receitas de Transmissões Televisivas
|
82.420
|
48.341
|
34.079
|
70,50%
|
Receitas com Publicidade e Patrocínio
|
27.329
|
11.168
|
16.161
|
144,71%
|
Receitas com Licenciamentos e Franquias
|
2.689
|
1.287
|
1.402
|
108,94%
|
Receitas com Premiações e Loterias
|
13.251
|
4.338
|
8.913
|
205,46%
|
Receitas com Esportes Amadores
|
2.589
|
2.488
|
101
|
4,06%
|
Receitas com Associados
|
19.319
|
12.074
|
7.245
|
60,00%
|
Receitas com Aluguéis
|
2.396
|
1.828
|
568
|
31,07%
|
Outras Receitas
|
2.708
|
5.098
|
-2.390
|
-46,88%
|
Receita Bruta
|
231.351
|
127.717
|
103.634
|
81,14%
|
Impostos e Contribuições
|
9.940
|
4.939
|
5.001
|
101,26%
|
Receita Líquida
|
221.411
|
122.778
|
98.633
|
80,33%
|
Despesas
| ||||
I - Futebol Profissional
|
127.712
|
79.029
|
48.683
|
61,60%
|
II - Futebol Amador
|
12.826
|
7.983
|
4.843
|
60,67%
|
Clube Social e Esportes Olímpicos
|
27.446
|
10.581
|
16.865
|
159,39%
|
Total das Despesas
|
167.984
|
97.593
|
70.391
|
72,13%
|
Superávit Operacional
|
53.427
|
25.185
|
28.242
|
Resumindo, nunca se ganhou tanto, nunca se vendeu tanto e nunca se gastou tanto.